17 Janeiro 2011

2:58 A.M.

São 2:58 da manhã e eu deveria estar dormindo, mas não estou. São nas noites mais escuras e chuvosas – como a de hoje – que a minha mente parece vagar pelos universos mais distantes de mim. No fundo, bem no fundo, cravado no lado esquerdo do peito, bate um coração solitário. Sofrido. Calado. São 2:58 da manhã.

Penso no que fiz, no que deixei de fazer e no que eu deveria ter feito. Penso em todas as cartas que eu não escrevi, em todos os filmes que eu não vi, em todas oportunidades que tive e perdi. São 2:58 da manhã. Penso que o mundo existia antes de mim e que vai continuar existindo sem mim, quando eu não mais existir. Tenho ciúmes do passado e um crescente medo do futuro.

A única coisa que eu realmente queria neste mundo era poder ligar para alguém. Alguém que não ache estranho que eu ligue em uma hora tão inapropriada, incoerente, tão atrapalhada. Que me pergunte se está tudo bem. Que me aconchegue, para bem perto, mesmo que pelo telefone. Que diga qualquer bobagem para me ver sorrir – mesmo que meu sorriso seja amarelo, sem graça e nervoso. Que diga que vai ficar tudo bem. Que diga que eu tenho muito tempo para escrever todas as cartas e ver todos os filmes que eu quiser. E que a vida é muito melhor, pois eu existo. São 2:58 da manhã.

A dura realidade dos fatos é que ninguém se importa. Ao menos, ninguém parece se importar. Deve ser por isso que eu fiquei solitária na minha solidão – e acabei não ligando para ninguém. Talvez eu ainda não tenha mudado significativamente – e positivamente – a vida de alguém. São 2:58 da manhã. Penso que o meu maior medo é saber, ter a certeza, a confirmação, que eu sou só mais uma em meio à multidão.

Ouço o barulho devastador da chuva lá fora. Reviro-me, contorço-me, viro-me entre os lençóis. São 2:58 da manhã e sinto uma única lágrima se formar no olho esquerdo. Eu choro.

Tenho a impressão de ficar sonolenta, confusa, devagar. Antes do dormir, não pude deixar de pensar: a verdade é que o mundo inteiro, às 2:58 da manhã, é um lugar solitário, para todo mundo.

São 2:59 da manhã.

2 comentários:

Vanessa Fassheber disse...

Já me senti assim muitas vezes...02:58, 02:59, 03:00.....

Eduardo Gomes disse...

Sabe,às vezes as horas nem importam mais pra se sentir assim e no fundo tanto faz, tudo bem.

Gostei muito do texto. ;)